Fundada em 1981 por Lodovico Antinori, a Ornellaia nasceu em Bolgheri 🇮🇹 para criar vinhos brilhantes com castas francesas…os Supertoscanos!
Nos solos marítimos de Bolgheri, cultiva Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot com maestria, além de algumas brancas, como Sauvignon Blanc, Sémillon, Viognier e Vermentino.
Hoje parte do grupo Frescobaldi, alia tradição e tecnologia de ponta. Além de uma paixão pelas artes e rótulos exclusivos que tem seu lucro destinado à caridade, e várias instalações artísticas na vinícola! Cada ano, um artista diferente!
Seu Ornellaia Bolgheri Superiore é um dos vinhos mais admirados do mundo!
Degustamos:
-Poggio alle Gazze 2023! Único vinho branco da vinícola, criado em 1987 (2º vinho). Essa safra tem 53% Sauvignon Blanc, 37% Vermentino, 7% Viognier e 3% Semillon, com passagem de 6 meses em barricas de carvalho (50%) ou tanques de concreto. Nariz maravilhoso, complexo, com herbáceo, grama cortada, floral, Jasmin, como bom corpo e acidez média. DW 94!
-Le Volte dell’Ornellaia 2023! Criado em 1991 para ser o vinho de entrada, para consumo rápido. Bem frutado, com um pouco especiarias e baunilha. Corpo e acidez média, fácil de beber! DW 93!
-Le Serre Nuove dell’Ornellaia 2022! Criado em 1997 para ser o 2º vinho da vinícola, mais acessível. Blend de 65% Merlot, 25% Cabernet sauvignon, 10% Cabernet Franc. Estagia em barricas de carvalho francês por 15 meses, 30% novas. Ótima complexidade no nariz, frutas negras, pimenta negra, especiarias, couro, tabaco. Corpo médio+, acidez média-alta, boa persistência! DW 96!
-Ornellaia 2022! O ícone da vinícola! 1ª safra lançada em 1985! 55% Cabernet Sauvignon, 25% Merlot, 10% Petit Verdot e 10% Cabernet Franc. Passagem de 18 meses em barricas de carvalho francês, 70% de primeiro uso. Espetacular! Frutas negras, cereja, ameixa, um floral, violetas, balsâmico, pimenta negra! Boca potente e equilibrada com longa persistência! DW 99!
-Variazioni in Rosso 2021! Vinho que só pode ser comprado ou degustado na vinícola! 40% Cabernet Franc 30% Cabernet Sauvignon 15% Merlot, com passagem de 15 meses em barricas de carvalho francês! Nariz com boa complexidade, com predomínio de herbáceo e pimenta negra, um pouco de fruta negra e café. Corpo e taninos médios, persistência! 1ª safra em 2013! DW 94!
A Vinícola Terra Nossa se situa em Espírito Santo do Pinhal/SP.
Inaugurada há 10 anos, um projeto que surgiu de 5 sócios que trabalhavam na Guaspari!
Atualmente é parceiro de vários projetos – são 40 vinícolas que ajudam a vinificar.
São um dos maiores responsáveis pelo crescimento da região, ao apoiar vários projetos que, sozinhos, não conseguiriam lançar seus vinhos!
Degustamos os seguintes vinhos, com ótimas explicações da Emiliana!
-Terra Nossa Chenin Blanc 2023! Vinho exclusivo na degustação na vinícola! Coloração amarelo palha, com aromas cítricos, pêssego fresco, floral. Em boca, estrutura média, com boa acidez! DW 91!
-Cateto Syrah 2023! Corte de Syrah 75% que passa em ovos de concreto, e Cabernet Sauvignon 25% com passagem em barrica de carvalho francês. 14% de álcool!Coloração rubi profunda, com aromas de frutos negros maduros, amora, especiarias. Corpo médio, acidez média, ótima persistência! Super equilibrado! DW 94! Melhor custo-benefício da região, me impressionou!
-Syrah Clássico 2021! Corte de Syrah 97% e 3% da casta branca Viognier, em co-fermentação. Prática que é clássica da região do norte do Rhône, na França! Na AOC de Côte-Rôtie, até 20% de Viognier pode ser utilizado. Com passagem em barrica de carvalho francês por 14 meses, 60% de primeiro uso. Coloração rubi profunda, aromas de especiarias, frutas negras maduras, floral, com corpo médio+, acidez média-alta, boa persistência! Certamente um dos melhores Syrahs da região!!! DW 95!
O nome tem origem índigena (Amana-Tykyra em Tupi), que significa Mantiqueira.
Solos graníticos, clima de altitude e a técnica da dupla poda trazem as condições para elaboração de vinhos de qualidade!
50 hectares foram comprados em 2017…desses 11 hectares produzem uvas! Das mãos dos enólogos Emanuel Felipe e Crístian Sepúlveda.
Fizemos a degustação acompanhados do Sommelier João, que brilhou nas explicações e na condução da visita!
Começamos com o Amana Rosé 2023! Corte de Syrah 60% e Chenin Blanc 40%, vinificados separadamente. 13% de álcool! Coloração rosé salmão, vom aromas de frutas vermelhas frescas, framboesa, morango, maça verde…média estrutura em boca! DW 92!
Seguimos para o Sauvignon Blanc 2023! Passagem em aço inox! Coloração amarelo palha, com aromas cítricos, herbáceo, maracujá, manjericão…boa presença em boca, corpo médio+, acidez e persistência média. DW 93!
Fomos para o Sauvignon Blanc Una 2022! Outro patamar…usa só o mosto-flor, fermenta parcialmente em concreto e inox, e 30% passa cerca de 8 meses em barricas de carvalho. Colorqção amarelo palha, com aromas cítricos, carambola, um herbáceo discreto, pimenta branca. Em boca, corpo médio+, acidez média e boa persistência! DW 94!
Seguimos para o Amana Syrah 2022! Aromas de frutas negras, especiarias, defumado, carne maturada. Em boca, corpo médio, taninos sedosos e boa persistência! DW 94!
E finalizamos com o Amana Una Syrah 2021! Um Syrah mais complexo, com passagem de 12 meses em barricas de carvalho francês, 70% de 1º uso. Coloração rubi profunda, aromas de especiarias, frutas negras, castanhas portuguesas tostada na brasa (!), com ótina estrutura em boca! DW 95!
Vale a pena conhecer! Certamente uma das vinícolas mais promissoras da região!
A Vinícola Guaspari foi fundada em 2001, por um uma família de espírito inovador que identificou em Espírito Santo do Pinhal, uma região tradicionalmente cafeeira, o potencial para a viticultura. As primeiras videira foram plantadas em 2006 e o primeiro vinho foi lançado em 2008, em uma pequena produção artesanal de trinta garrafas. Desde então, a Vinícola Guaspari vem transformando o cenário vitivinícola brasileiro, ganhando reconhecimento tanto no Brasil, quanto no exterior.
Atualmente são cerca de 50 hectares de vinhedos próprios.
Elaborando vinhos de ótima qualidade, com a técnica da poda invertida (quando a safra é transferida para o inverno para aproveitar melhor a amplitude térmica e menor incidência de chuvas).
Degustamos no Wine Bar 4 vinhos escolhidos por nós (é possível tomar de taça de qualquer vinho disponível)!
Começamos com o Viognier Vista do Bosque 2022! Vinho branco com passagem de 11 meses em barricas de carvalho francês usadas. Coloração amarelo dourado, com um buquê floral, cítrico, baunilha! Em boca, untuoso, bom corpo em boca, acidez e persistência média! DW 92!
Seguimos para o Syrah Vista do Serra 2020!Passagem de 24 meses em barricas de carvalho francês, e posterior 21 meses em garrafa antes de comercializar. Coloração rubi profunda, intensa, com toques defumados, especiarias, fruta madura! Corpo médio, acidez média-alta, taninos sedosos e média persistência! DW 93!
Passamos para o premiado Syrah Vista do Chá 2019! Estagiou por 28 meses em carvalho francês e, após ser engarrafado, descansou por mais 30 meses antes de ser lançado. Coloração rubi profunda, intensa, com toques defumados típicos da região, especiarias, muita fruta madura! Em boca, é intenso! Corpo médio+, acidez média-alta, taninos sedosos e boa persistência! DW 95!
E finalizamos com o Vista da Mata 2019! Corte de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, com passagem de 24 meses em barricas de carvalho francês, e posterior 21 meses em garrafa antes de comercializar. Coloração rubi profunda, com aromas de couro, herbáceo, floral, e uma estrebaria que com o tempo foi amenizando. Em boca, corpo médio+, acidez média, taninos intensos e sedosos e boa persistência! DW 94!
Uma vida no Vinho: Luís Sottomayor, o enólogo do Barca Velha!
Primeira sala de provas desse brilhante eventos Vinhos de Portugal 2024, que aconteceu na Bienal, em São Paulo.
Degustação conduzida por Jorge Lucki com Luís Sottomayor. A história do Luís Sottomayor e a relação com esse vinho começa em 1989, quando ele é convidado para trabalhar na Ferreira pela SOGRAPE. No momento, o enólogo responsável pela elaboração do Barca Velha era José Maria Soares Franco, que seguiu seu criador, Fernando Nicolau de Almeida, que desde 1952 elabora esse vinho nos anos especiais. Em 2007 José Maria Sores Franco sai da Ferreira, e desde então Luís Sottomayor é o responsável pela elaboração desse ícone português.
Começamos a degustação com o Quinta da Leda 1997. Primeira vez que o vinho é feito tal como conhecemos hoje, usando barricas de carvalho francês (antes usava-se carvalho português). Aromas de frutas passas, ameixa seca, tostado, com boa corpo médio, acidez média-alta e boa persistência. DW 95!
Seguimos para o Casa Ferreirinha Reserva Especial 2007 – 1º ano que Sottomayor fica sozinho à frente da enologia do Barca Velha sozinho. Estrutura potente, acidez média-alta, muita fruta negra madura. DW 97!
Depois tomamos o Casa Ferreirinha Reserva Especial 2014, potente, frutado, mais “redondo”, mais pronto para beber! DW 98!
E então o Barca Velha 2015! Após somente 2 dias do lançamento oficial desse vinho no Brasil! Corte de 43% Touriga Franca, 40% Touriga Nacional, 2% Tinta Roriz, 5% Tinto Cão e 10% Sousão, com passagem de 18 meses em barricas de carvalho francês! Nariz potente e complexo, com mais madeira, mais aromas empireumáticos, além de fruta negra, floral, especiarias. Em boca, é mais “nervoso”, taninos intensos, acidez mais elevada, ótima persistência! Divino! DW 100!
São exatamente essas características que o transformam em Barca Velha! Após elaboração do vinho, Luís Sottomayor segue o provando ano após ano até entender que ele está pronto e até definir se o vinho daquela safra é um “Barca Velha” e não um “Reserva Especial”. Só existe um ou outro (nunca haverá um Barca Velha e Reserva Especial da mesma safra). Anos mais difíceis pode não ter nenhum dos dois (e as uvas iriam para o Quinta da Leda). Não quer dizer que o Barca Velha é sempre melhor que o Reserva Especial…quer dizer que o Barca Velha terá sempre características que o dá uma longevidade incrível, capaz de aguentar décadas de estágio na garrafa!
Finalizamos ainda com a degustação do Porto Tawny 30 anos da Sandeman (também da SOGRAPE), que é magnífico! Coloração tawny translúcida, com aromas de nozes, figo seco, amêndoas. DW 99!
E com um Ferreira Porto Vintage Vinhas Velhas 2016, também do Luís Sottomayor! 1º Vinhas Velhas de Porto Vintage da Ferreira, elaborado com 70% de uvas de vinhas velhas, 20% touriga nacional e 10% sousão. Obra dos Deuses! Nariz já aberto, com a complexidade de um blend de vinhas velhas, mas uma potência sensacional em boca trazida por esse corte que foi elaborado! DW 98! Como Sottomayor comentou…”O tawny é feito pelo homem com a ajuda de Deus…e o Vintage é feito por Deus com a ajuda do homem!”
Não poderia ter uma forma melhor de terminar essa degustação!
Na região do Douro Superior, em Vila Nova de Foz Côa. Foi, em 1877, o último investimento da visionária dona Antonia Adelaide Ferreira. Área fora da região esperada do Douro, mas próxima da Quinta do Vesúvio, que na época também era da Ferreirinha e que sabia a qualidade das uvas de lá!
Vista da Capela da quinta
Local onde foi elaborado o primeiro vinho tinto seco do Douro…o Barca Velha 1952! Não havia energia na região na época, e Fernando Nicolau de Almeida teve que trazer enormes quantidades de gelo da cidade de Matosinhos para poder controlar a temperatura na fermentação desse vinho seco.
A partir da década de 70, o trineto da Ferreirinha, Francisco Javier de Olazabal, assumiu a quinta do Vale Meão e, aos poucos, foi comprando todas as parte dos demais herdeiros, até que em 1994 torna-se, junto com seus filhos, único proprietário dessa quinta.
Até então, todas as uvas produzidas aí eram vendidas para a empresa AA Ferreira SA, também de descendentes da Ferreirinha, e eram a base dos melhores vinhos deles.
A partir de 1998, o Sr Francisco Olazabal resolve renunciar ao cargo de presidente da AA Ferreira SA para se dedicar à quinta do Vale Meão ao lado dos seus filhos, formando a empresa F. Olazabal & Filhos Ltda.
Os filhos (Francisco – enólogo, Jaime e Luiza) participam da gestão da empresa, e conseguem, nos vinhos elaborados, manter toda a paixão criada pela tataravó Ferreirinha por essa região do Douro!
Fomos conduzidos pelas vinhas da quinta pela responsável pelo turismo da empresa, Maria Ferreira, e vimos vários lugares dessa quinta magnífica! São 300 hectares de terra, 100 de vinhas!
Degustam os seguintes vinhos:
Degustação Vale Meão Julho/2023
•Meandro do Vale Meão Branco 2022! 12% de álcool. Elaborado com 40% Arinto e 60% Rabigato, no Douro Superior. Bom corpo e acidez, aromas citricos e frutas tropicais. Excelente custo benefício, mas pequena produção. Difícil chegar no Brasil! DW 92!
•Meandro do Vale Meão Tinto 2021: vinho jovem, frutado, elaborado com 45% Touriga Nacional e 38% Touriga Franca, restante de Tinta Roriz, Tinta Barroca, Alicante Bouschet e Baga! DW 93!
•Monte Meão Cabeço Vermelho 2020! 100% Tinta Roriz de solo de aluvião. Espetáculo de Tinta Roriz, um dos melhores varietais desta casta que já tomei! DW 96!
•Quinta do Vale Meão 2020! O top da vinícola. Estágio de 16 a 18 meses em barricas de carvalho francês. 55% de Touriga Nacional e 40% Touriga Franca, 2% Tinta Roriz, 3% Tinta Barroca. Maravilhoso! Aromas de frutas negras, groselha, com uma ótima estrutura em boca! Longa persistência! DW 100!
•Quinta do Vale Meão Vintage Tawny 10 anos! Um 10 anos surpreendente, qualidade espetacular! DW 95!
228º encontro da Confraria dos Enófilos de Sorocaba! Com a seleção de vinhos com 95 pontos ou mais da Decanter!
Quinta dos Castelares Superior 2016!
50% Touriga Nacional, 25% Touriga Franca e 25% Tinta Roriz do Douro Superior!🇵🇹
Com passagem de 6 meses em barricas de carvalho (2/3 francesa e 1/3 americana). Vinho muito agradável, taninos médio+, polidos, acidez e corpo médio. DW 93!
Les vignes de Héloïse 2019! Chateau Font Barrièle! Da AOP Costieres de Nimes, no sul do Rhone!🇫🇷
60% Syrah e 40% Grenache, 15% de álcool! Aromas de pimenta preta, frutas negras, com taninos médio+ ainda jovens, acidez média e boa persistência! DW 95!
Undurraga T.H. Cabernet Sauvignon Cauquenes 2016! Do Maule! 🇨🇱
Varietal com 13,5% de álcool, 14 meses de barricas de carvalho francês, 30% de primeiro uso. Muito herbáceo, taninos intensos, acidez média-alta! DW 95!
Dedicado gran corte 2015! Da Finca Flichman – Vale do Uco! 🇦🇷
Pertence à portuguesa Sogrape desde 1988! Corte de 77% Malbec, 10% Cabernet Franc e 13% Petit Verdot! 3 meses de barrica de 3º uso! Um malbec argentino atípico! Nariz de frutas negras, violeta, taninos médio+ sedosos, acidez e corpo médio! Um toque de finesse! DW 95!
Il Blu 2015! Podere di Brancaia! De Chianti, Toscana!🇮🇹
Primeiro vinho, criado em 88 como um supertoscano! 70% Merlot, 25% Sangiovese e 5% Cabernet Sauvignon! 20 meses em barrica de carvalho francês (2/3 novas). 14,5% de álcool! Muita cEreja madura, tostado. Corpo médio+, mastigável, tanino + poderosos! Dos Deuses! DW 98!
Ben Ryé 2016! Da Donnafugata, da ilha de Pantelleria, na Sicília!🇮🇹
Um Passito di Pantelleria! Elaborado com a casta Zibibbo (moscatel de Alejandria), com uma “viticultura heróica”, com terraços. Aqui com influência do vento Sirocco, quente, vindo do norte da África.
Ben Ryé significa “Filho do Vento”! 14,5% de álcool! Açúcar residual de 197g/L!
Coloração dourada, com aromas de casca de laranja, mel, tâmaras. Corpo médio+, acidez média alta…um vinho de sobremesa ímpar! DW 97!
A história do vinho no Douro começou há muitos séculos! Existem evidências arqueológicas do que seria uma vinícola no castelo da Fonte de Milho próximo à região da Régua, datando do final do império Romano (por volta de 300 d.C.)!
Estação Arqueológica do Alto da Fonte de Milho – Peso da Régua
Com a invasão dos muçulmanos em 711 na península Ibérica, a produção de vinho não foi proibida, mas foi desestimulada! Com a chegada dos Mouros vindos da Galícia, foi criado um novo governo em Portuscale (hoje a cidade do Porto), que seria o embrião de um novo reino, com a chegada de Henry, primo do Duque da Borgonha, que se casou com Teresa, princesa de León, em 1094. As primeiras quintas do Douro datam dessa época, como a Quinta da Folgosa (atualmente Quinta dos Frades), Paço de Monsul e Quinta de Mosteirô.
O filho de Teresa e Henry, Afonso Henriques, iniciou campanhas para expulsar os Mouros para o Sul, e recebeu ajuda das frotas Inglesas. O reino de Portugal recebeu reconhecimento pelo Papa Alexandre III em 1179, e em 1249 conquistaram o Algarve e adquiriam a forma que conhecemos hoje de Portugal! Um país com 600km de extensão e 200km de largura, cortado por 2 grandes rios – o Douro e o Tejo!
Desde então o comércio entre Portugal e Inglaterra começou a prosperar…Ingleses enviando lã e roupas, e portugueses enviando azeite, vinho e frutas.
Assim, a história do Douro e do Porto é inseparável da história de Portugal emergindo como uma nação comerciante, com a qual a Inglaterra teve uma relação muito importante!
Partindo para o século XVII…em 1689 inicia-se uma guerra entre a Inglaterra e a França, tornando inviável a importação de vinhos desta última para os ingleses, aumentando muito o consumo de vinhos portugueses na nação britânica. Em 1703 foi criado o Tratado de Methuen, que dava preferência à importação de produtos têxteis ingleses e à exportação de vinhos portugueses.
Com um aumento expressivo da demanda de vinhos portugueses, numa região com dificuldade para aumentar sua produção por suas características peculiares, muitos começaram a adulterar os vinhos! Começaram a adicionar suco de baga de sabugueiro para dar mais cor e aromas para o vinho.
Marques de Pombal
Para restaurar a qualidade dos vinhos da região, Marques de Pombal criou em 1756 a Real Companhia das Vinhas do Alto Douro, e delimitou a região produtora! Foram demarcados inicialmente 201 marcos de granito, e 5 anos depois, mais 134 marcos. A Companhia era capaz de fixar preços, taxas, proteger a autenticidade do produto (na época muito questionada), determinar quem poderia comercializar os vinhos na cidade do Porto… todos vinhos que seriam encaminhados para o Brasil deveriam passar pela Real Companhia! Várias medidas para regulamentar a produção de vinhos foram criadas. Isso obviamente não foi visto com bons olhos pelo governo britânico, que teve que começar a pagar mais pelos vinhos, mas não foi suficiente para desfazer 4 séculos de aliança anglo-lusitana.
E essa estratégia deu certo para a economia duriense! Exportações para a Inglaterra aumentaram de 12.000 pipas para 17.000 pipas 4 anos após! O preço que estava em torno de 20-30 escudos passou para 40 escudos a pipa! Apesar disso, nem todos estavam satisfeitos com as medidas pombalinas. Em 1776, a exportação de vinhos das regiões de Viana, Monção, Bairrada e Algarve foram proibidas!
Marques de Pombal continuou trabalhando no protecionismo do Douro até 1777, quando morreu o rei José I, que o colocou no cargo. E quem assumiu seu lugar ao trono foi sua filha, Maria I. Seu primeiro ato foi demitir Marques de Pombal! E com isso, várias medidas pombalinas foram canceladas, e a Real Companhia Velha perdeu sua monopolia na exportação de vinhos para o Brasil!
O Douro Superior
Somente em 10/05/1907 (146 anos depois…) a região demarcada se estendeu para o Douro Superior, com um decreto assinado por João Franco.
E em 1982 foi criada a Denominação de Origem do Douro para a produção de vinhos de VQPRD e sua regulamentação.
E agora, cerca de 250 anos depois…como estão as coisas no Douro?
O Douro corresponde atualmente a uma área de 26 mil hectares. Se divide em 3 regiões: o Baixo Corgo, o Cima Corgo e o Douro Superior.
Quais são as diferenças entre elas?
Baixo Corgo é a região mais próxima da cidade do Porto. Tem o clima mais ameno das 3, e encostas menos inclinadas. Corresponde a 14 mil hectares (51% do total). Tem menor amplitude térmica e maior índice pluviométrico (900mm). Sua produção principal vai para os vinhos do Porto Ruby e Tawny. Cidade central: Peso da Régua.
Cima Corgo é onde se encontram as quintas mais famosas. 19 mil hectares plantados (36% da produção). Cidade central: Pinhão. De onde saem muitos Porto Vintage e LBV de destaque. Tem também uma designação especial: Moscatel do Douro (fortificado).
Douro Superior: 8.700 hectares (13% da produção). Região mais quente e mais seca! Cidade central: Vila Nova de Foz Côa. Em crescimento – vários vinhedos novos.
O solo do Douro é predominantemente Xisto, com manchas de solos de origem granítica.
A região é caracterizada pela sistematização das encostas, com manejo da vinha de forma tradicional não mecanizada.
Normatização de 55L/há para tintos e rosados e 65L/há para brancos.
Castas predominantes:
Entre as tintas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinto Cão, Tinta Amarela e Tinta Francisca.
Entre as brancas: Gouveio (ou Verdelho), Malvasia Fina, Viosinho, Rabigato, Esgana Cão, Folgasão, Moscatel Galego.
O Barca Velha
A história do Douro se confunde com a do Vinho do Porto! Isso porque até 1952 não era possível fazer um vinho seco nessa região! Não havia energia elétrica, e como no Douro as temperaturas no Verão chegam a 40°, não tinha como controlar a temperatura para fermentar as uvas e formar um vinho fino seco convencional…até 1952!
Fernando Nicolau de Almeida – filho do degustador da Casa Ferreira – assumiu a posição do pai em 1950 e iniciou o seu projeto de criar um vinho seco de destaque no Douro!
Como viabilizar a fermentação das uvas? Como baixar a temperatura se não havia energia elétrica, muito menos na região isolada do Douro Superior? Simples…usar gelo!
E assim foi! À meia-noite saíam de Matosinhos (próximo da cidade do Porto) diversas embarcações cheias de gelo para até 08h da manhã estarem na Quinta do Vale Meão, onde o primeiro tinto seco nasceria! E foi em 1952 que surgiu a primeira safra do Barca Velha! Um vinho com estrutura incrível, que tinha uma excelente longevidade!
Atualmente temos a imponente e história produção de vinhos do Porto na região, ao lado de vinhos brancos e tintos secos com uma qualidade extraordinária!
Vinho do Porto
O famoso vinho do Porto é um vinho fortificado, o que significa que após o início da fermentação, que ocorre tradicionalmente em lagares de granito, ocorre a adição de aguardente vínica levando a concentração de álcool para próximo de 20%. Com isso, as leveduras não conseguem mais prosseguir a fermentação iniciada e sobra uma quantidade maior de açúcar residual, que é controlado pelo enólogo.
Tipos de Vinho do Porto
Temos dois estilos principais de vinhos do Porto: o Ruby e o Tawny. Além desses, temos em menor quantidade vinhos do Porto brancos e rosé.
O estilo Ruby se caracteriza por um estilo mais frutado, com menor tempo de passagem em madeira, em recipientes maiores – os Balseiros. Isso vai levar a uma menor oxigenação e irá manter a coloração mais viva do vinho. Podem ser divididos em Ruby (o mais simples e acessível), Ruby Reserva (estilo premium do Ruby, com qualidade um pouco superior), LBV e o Vintage, que seria o ápice de qualidade do vinho do Porto.
Quando temos uma safra excepcional, é tentado lançar o Porto Vintage. Esse vinho é enviado para o IVDP (Instituto do Vinho do Douro e do Porto) após 2-3 anos de estágio em madeira, que vai declarar se esse vinho é realmente um Vintage, de acordo com critérios de qualidade pré-estabelecidos. Se não se tornar um Vintage, o vinho permanece em madeira por mais 4 a 6 anos, quando então podem ser lançados com LBV (Late Bottled Vintage), que também possuem uma qualidade excelente.
O outro estilo é o Tawny (que significa “aloirado”). O vinho do Porto desse estilo tem passagem em barricas menores de madeira (pipas), e por isso passam por um processo oxidativo mais intenso, adquirindo características próprias. Além do estilo mais simples do vinho do Porto Tawny, que tem passagem de 3 anos em madeira, temos também o estilo Tawny Reserva (5 a 7 anos em madeira, vinho de qualidade superior ao Tawny) e o estilo envelhecido (10, 20, 30 ou 40 anos) e o Colheita.
Os envelhecidos (10 a 40 anos) são feitos com blends de safras, com um mínimo de 10 a 40 anos de estágio em madeira. Já o Colheita é um vinho do estilo Tawny realizado a partir de uma safra somente, lançado com no mínimo 7 anos de passagem em barricas, mas muitas vezes ficando por décadas até ser lançado, de acordo com a demanda.
Vinhos secos do Douro
Com a modernização das vinícolas foi possível elaborar vinhos secos com qualidade cada vez melhor! São inúmeros os vinhos secos que ganharam destaque mundialmente, com um nível de qualidade impressionante!
Em geral, os tradicionais cortes portugueses se mantem nesses vinhos icônicos, com blend das castas típicas da região, brancas ou tintas. Alguns varietais de destaque tem surgido também, em especial elaborados com a Touriga Nacional, uva nascida no Dão mas que se destaca no Douro.
Referências:
Port and the Douro – 4ª edição – Richard Mayson
Os sabores do Douro e do Minho – Marcelo Copello. Editora Senac. 2008.
Muito se tem discutido recentemente sobre o estudo chinês que mostrou que o consumo do vinho, mais especificamente o ácido tânico (que pertence à classe dos taninos), seria um fator protetor contra o COVID!
Apesar da minha paixão por vinhos e de acreditar que realmente vinho pode ter esse papel protetor, a vida nos ensina sempre a avaliar com detalhes os estudos antes de tomarmos como verdade um resultado…vide o estudo recente sobre o uso da Colchicina em Covid (o COLCORONA)…que os resultados preliminares foram maravilhosos, com redução de mortalidade com uso de colchicina, mas que analisando os resultados não chegou nem perto do que foi exposto! Redução de 44% de mortalidade com p não significativo (IC 0,16 a 1,66) é igual a NADA!!!
Bom, vamos analisar com calma então o estudo chinês publicado por Mien-Chie Hung e equipe no “Jornal Americano de Pesquisa em Câncer” (Am J Cancer Res 2020;10(12):4538-4546).
Primeiro ponto…o estudo testou o efeito do vinho ou tanino em seres humanos? A resposta é não! Foi um estudo com análise “in vitro” da ação do ácido tânico e outros componentes em cultura de células renais humanas.
Mostrou sim que o ácido tânico (bem mais que os outros componentes testados) pode inibir “in vitro” a ação de 2 enzimas essenciais para a infecção pelo SARS-CoV2 (gráfico em anexo).
Mas qual é a quantidade necessária pra o ácido tânico inibir a entrada do SARS-CoV2 na célula? Conseguiríamos atingir essa dose tomando vinho tinto (que teria maiores quantidades de tanino)? Por quanto tempo após beber um vinho o tanino vai proteger contra o SARS-CoV2? Isso não sabemos ainda!
Certamente é um resultado animador, que embasa algo que eu até acho que possa ser verdade! Mas ainda não dá pra falar que vinho protege contra COVID, o estudo não prova isso!
Então vamos com calma…podemos continuar a tomar e curtir nosso vinho, mas não vamos baixar a guarda para todo o resto dos cuidados que sabemos que nos protege contra o COVID!