Fizemos a visita acompanhada pelo Engenheiro Agrônomo Álvaro – que trabalha na casa há décadas e não esconde sua paixão pelo Douro e por tornar a Quinta das Carvalhas uma das melhores da região!
Foi uma longa visita cheio de filosofia! Muito interessante!
O Douro!
Conhecido mundialmente pelo vinho do Porto, foi a primeira região demarcada em 1756 por Marques de Pombal.
Mas quando falamos dos vinhos secos do Douro, nem todos conhecem o seu potencial!
Na verdade, por dificuldades de acesso local, por não haver energia elétrica em grande parte do Douro até por volta da década de 60, nem tinha muito como pensar em fazer vinho seco. As temperaturas mais amenas necessárias para a fermentação não poderiam ser atingidas facilmente. Basta lembrar do primeiro vinho seco do Douro…o Barca Velha 1952. Precisaram trazer gelo da região de Matosinhos, mais próximo do Porto, para que se atingisse as condições necessárias para sua elaboração.
Além disso, com as encostas do Douro, é impossível fazer um vinho larga produção, colheita mecanizada pra ter um vinho de entrada com preço competitivo com os sul-americanos, australianos ou sul-africanos.
A colheita só pode ser manual! A produção por videira já é limitada pelas características do terroir local!
A natureza já se encarregou desses detalhes para resultar em uvas de qualidade!
Pensando agora nos consumidores… podemos imaginar uma pirâmide.
Sua base, em torno de 80% dos consumidores, são aqueles que querem um vinho barato, simples, não buscam complexidade de texturas, aromas e sabores. Para esses, os vinhos do novo mundo se encaixam melhor. O Douro, por todas dificuldades já discutidas, não conseguem entregar um produto com um valor muito baixo.
15% já tem um conhecimento de vinho, e buscam algo mais complexo do que vinhos simples de entrada. Aqui, a região do Douro já tem muito a oferecer.
E 5% buscam o que há de melhor em vinhos. Novamente, o Douro é o lugar para oferecer isso! Ícones com Barca-Velha, Quinta do Vale Meão; diversos vinhos originados das mágicas e complexas vinhas velhas (Abandonado, Vinha Maria Teresa do Crasto…), isso sem falar nos Vinhos do Porto Vintage, que são um capítulo a parte!

Esse deve ser o foco dos vinhos do Douro. Essa parcela de cerca de 20% dos consumidores que entendem um pouco mais de vinho, e que devem saber que tesouros engarrafados o Douro pode nos entregar!

Degustamos no final desse passeio pelas origens, dificuldades e caraterísticas de terroir local, os seguintes vinhos:
•Douro Doc Branco: corte de Viosinho e Gouveio, dos pontos mais altos das vinhas (mais frio…amadurece menos, tem maior acidez). Aromas florais, minetal, com um bom corpo e acidez. 50% com estagio em barricas de carvalho francês.
•Tinta Francisca 2014: interessantíssimo! Varietal dessa casta delicada que em vários aspectos lembra um “Pinot Noir” do Douro! Saboroso, leve. Muito gostoso.
•Touriga Nacional 2015: seguimos para a casta clássica da região, um vinho potente, com aromas de frutas negras maduras, groselha.
•Carvalhas Vinhas Velhas: espetacular! 45 castas misturadas em videiras de 95 a 107 anos de idade! Muita fruta negra madura, taninos potentes, longa persistência! Divino!
•Carvalhas Porto Vintage 2007: ótimo vintage do Porto!

Visita excelente, inesquecível!