130 Blanc de Blanc

130 blanc de blanc

Iniciamos nossa jornada ao mundo dos espumantes brasileiros. E iniciamos bem, com uma das vinícolas de maior destaque nacional na elaboração de espumantes – a Casa Valduga.

A família Valduga chegou no Brasil em 1875, vindo de uma cidade do norte da Itália (Rovereto), e já começaram a cultivar as primeiras vinhas onde hoje chamamos de Vale dos Vinhedos.

E em 2005, buscando homenagear os 130 anos da chegada da família Valduga a Brasil, decidiram elaborar um espumante ícone. Assim surgiu o Brut 130.

Em 2016 foram lançadas as versões Blanc de Blanc (feita 100% com a uva Chardonnay) e Blanc de Noir (feita 100% com a uva Pinot Noir).

70% dos vinhos elaborados pela Casa Valduga são espumantes. Possuem, atualmente, a maior cave subterrânea da América Latina, com capacidade para mais de 6 milhões de garrafas.

O Blanc de Blanc degustado é um espumante Brut, que passou por 36 meses de Autólise em Cave. Feito pelo método champenoise (mesmo método utilizado em Champagne na França).

Degustação

Já ao colocar na taça esse espumante demonstra sua qualidade. Coloração amarelho palha, com um fino e intenso perlage.

No nariz, um buquê muito agradável e intenso, com notas de frutas brancas, com nuances amanteigados.

Na boca mantêm esses toques frutados, uma excelente cremosidade, com uma ótima acidez e persistência.

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Harmonização

Peixes, frutos do mar, risotos, culinária japonesa e mediterrânea,

Onde encontrar

Loja on-line Famiglia Valduga, Wine, Bebidas do sul.

Miolo Lote 43

Esse vinho não poderia estar fora dessa jornada em busca do Melhor Vinho do Brasil.

Considerado por muitos uns dos melhores do Brasil, é um dos vinhos tops da Miolo, uma das maiores vinícolas do país.

É uma homenagem ao italiano Giuseppe Miolo, patriarca da família, que chegou ao sul do Brasil no ano de 1897, na região do Vale dos Vinhedos. Corresponde ao lote de terra comprada pelo imigrante no ano da sua chegada.

Em 2008, ficou dentro da demarcação com Denominação de Origem da primeira região vitivinícola do Brasil.

Composto pelas uvas Merlot e Cabernet Sauvignon, é produzido somente em vindimas excepcionais. O 2012 degustado é sua 7ª edição.

Uvas: Merlot (60%) e Cabernet Sauvignon (40%). Passagem por 12 meses em barrica de carvalho francês e americano. 14% de álcool.

Enólogo: Adriano Miolo

Degustação

Visualmente apresenta coloração rubi escuro violáceo.

No olfato, um buquê intenso, com aromas de tabaco, frutas negras, ameixa, cacau, terra molhada. Uma composição que sugere a maior prevalência do merlot nesse blend.

Apresenta bom volume na boca, macio, com boa acidez, e taninos finos e equilibrados. Boa persistência, com um retrogosto muito agradável.

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Harmonização

Carnes de caça, culinária italiana. Por sua complexidade de aromas, pode ser interessante também em pratos igualmente sofisticados, como alguns da culinária francesa.

Onde encontrar

Site Wine, Site Loja Miolo

Villa Francioni – Francesco

Buscando novos horizontes, hoje experimentei um vinho produzido em São Joaquim/SC, numa bela vinícola instalada na serra catarinense.

Região que se destaca pela produção de maçãs e pela pecuária, teve a vitivinicultura impulsionada pelos resultados das pesquisas da EGRAPI (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) no final dos anos 90, que apontaram a região da Serra Catarinense e Meio-Oeste como regiões potenciais para a produção de uvas vitis vinífera, responsáveis pela elaboração dos vinhos finos. Isso atraiu empreendedores e estimulou o crescimento da vitivinicultura no terroir joaquinense, região com boa amplitude térmica, numa altitude de 1300m.

A vinícola Villa Francioni é a maior vinícola de Santa Catarina. Possui 50 hectares de vinhedos. Os primeiros foram plantados no ano 2000, com mudas certificadas trazidas da França e Itália. Inaugurada no final de 2004, hoje já conta com a produção de mais de 150 mil garrafas de vinho por ano, com vários rótulos premiados em concursos mundo a fora.

Degustação

Degustado o vinho Francesco 2011. É um blend de 5 castas (Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Malbec e Syrah).

Estagia em barrica de carvalho francês por 14 meses. Álcool 13,7%.

Visualmente, apresenta coloração rubi intenso, com toques acastanhados sugerindo alguns anos de evolução (7 anos no momento da degustação).

No nariz, apresenta aromas intensos e complexos; frutas vermelhas em compotas, especiarias, café, com alguns toques defumados e de baunilha. Muito agradável.

Na boca apresenta-se bem equilibrado, com acidez e corpo médio, taninos discretos e redondos, com ótimo final longo.

Vinho de ótima qualidade.

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Harmonização

Acompanha bem carnes de caça; codorna em molhos de tomate ou mesmo as massas com molho madeira.

Onde encontrar

Site Vinhos & Sabores.

Loja Empório Frei Caneca / São Paulo/SP

Peverella Era dos Ventos

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O Peverella Era dos Ventos foi o vinho mais bem avaliado no Descorchados 2018 – um dos principais guias de vinho da América Latina (“desarrolhados” em português). Recebeu 94 pontos.

É um vinho laranja, ou seja, um vinho feito com um variedade de uva branca que no processo de maturação se mantem as cascas da uva, permitindo uma maior extração de cor e aroma do que os vinhos produzidos com a uva Peverella habitualmente. Seria um ancestral do vinho branco moderno.

Como todos os vinhos da Era dos Ventos, sua produção é feita com mínima intervenção da vinicultura. Nesse caso, o vinho é fermentado apenas com o uso de leveduras nativas e recebe quantidade mínima de preservação por SO2. O suco de uvas macerado com suas peles permanece por 2 semanas em tinas de carvalho, e posteriormente, descansa por 2 anos em barricas de Ipê, para então ser engarrafado. Mais um motivo para atingir a singuralidade representada por esse vinho.

A Era dos Ventos nasceu de um projeto formado por três sócios: Pedro Hermeto (Restaurante Aprazível – RJ) e os vinicultores Luís Henrique Zanini (Vallontano) e Álvaro Escher (Cave Ouvidor).

Mas que uva é essa?

Peverella é uma variedade de uva branca proveniente do norte da Itália, trazida ao Brasil no final do século XIX, junto com sangiovese e bonarda, que não foram bem na nossa região. Peverella vem de Pevero que no dialeto Vêneto significa pimenta. Na Europa, é considerada uma casta em extinção.

Degustação

Safra de 2014, 12,5% de álcool.

Visualmente tem aparência âmbar, apresentando uma coloração alaranjada.

Apresenta aromas de nozes, frutas cítricas, laranja, damasco. Ótima complexidade, com toques de mineralidade.

Na boca, ótima acidez, longa e agradável persistência, taninos suaves e redondos (taninos que estão ausentes em vinhos brancos, mas que nesse caso surgem devido à manutenção da casca da uva durante a maturação). Atende às expectativas de um buquê sensacional.

Fortíssimo candidato ao melhor vinho do Brasil.

DW 95

Harmonização

Acompanha frutas do mar, carnes brancas e massas com molhos brancos.

Onde encontrar?

Pela internet, no site Vinhos & Sabores, Vinhos Mundi.

Em São Paulo, Enoteca Saint Vinsaint.

Pizzato Egiodola

Provamos hoje o Pizzato Egiodola.

A família Pizzato chegou no Brasil em 1880, trazendo da Itália o hábito do cultivo de uvas. A partir do final da década de 60, iniciaram a produção na propriedade atual na região do Vale dos Vinhedos no Rio Grande do Sul. Mas somente no final da década de 90 começou a produção de vinhos finos para comercialização.

A Egiodola é uma uva de origem francesa de 1954, implantada no Brasil em 1988 pela família Pizzato, após uma visita técnica no Uruguai realizada 3 anos antes, quando foi desenvolvido um programa de testes de variedades alternativas.

A origem da Egiodola é o cruzamento das uvas Abouriou e Fer Servadou. O nome tem origem da contração de duas palavras bascas: Egiasko Odola, que significa ‘sangue de verdade’.

O resultado é um vinho estruturado, com expressão tânica pronunciada. Representa um dos 3 únicos brasileiros varietais desta uva.

Degustação

Safra de 2010. Cultivado em vinhedos próprios, conduzidos em espaldeiras-lira. Passagem por barril de carvalho francês de 1º e 2º uso. Apresenta bom potencial de guarda.

Visualmente, apresenta cor intensa vermelho-rubi brilhante.

No olfato, aromas de frutas vermelhas madura, groselha, baunilha, amoras, tabaco.

Na boca, apresenta-se encorpado, com taninos expressivos, boa acidez, atingindo um bom equilíbrio. Final com persistência média.

Vinho de qualidade muito boa, com ótimo custo-benefício.

DW 90

Harmonização

Aves com preparo estruturado, molhos com funghi frescos, rosbife, carne suína. Queijos meia-cura.

Onde encontrar

Loja Trevino.

Guaspari – Syrah Vista da Serra

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Começamos nossa busca pelo melhor vinho do Brasil com um Syrah paulista.

Avaliamos o Syrah Vista da Serra da Guaspari.

A vinícola Guaspari encontra-se numa região tradicionalmente cafeeira – em Espírito Santo do Pinhal / SP. Seus vinhedos estão plantados em altitudes que variam entre 700 e 1300m, em um solo seco de origem granítica, com ótima drenagem. Um terroir que se assemelha ao de Côte-Rôtie no vale do Rhône (França) ou Barossa Valley (Austrália), regiões em que se destaca a produção de Syrah.

É utilizada a técnica de dupla poda – inverte-se o ciclo natural da videira, realizando uma primeira poda em setembro e uma segunda em janeiro/fevereiro. Assim, a colheita é realizada no período do inverno, época com condições mais favoráveis e pouca chuva. O excesso de chuva na época da colheita é ruim pois a uva perde qualidade, fica menos doce e mais inchada por absorver mais água. O solo seco permite que a fruta concentre açúcar e intensifique a cor, possibilitando a fabricação de um vinho mais saboroso e encorpado.

As primeiras videiras foram plantadas em 2006. E seus vinhos já começaram a se destacar. O Syrah Vista do Chá 2011 foi elogiado por diversos críticos, entre eles o inglês Steven Spurrier (editor da revista Decanter e organizador do famoso Julgamento de Paris em 1976). A safra de 2012 recebeu medalha de ouro em Londres no concurso Decanter World Wine Awards 2016, obtendo 95 pontos. Se pensarmos que vinhas jovens podem ter uma produção mais errática nos seus primeiros anos, com maior variação das características organolépticas do vinho, devemos esperar vinhos ainda melhores no futuro.

Degustação

O Syrah Vista da Serra 2015 mostrou o potencial dessa vinícola. Maturação em 20 meses de barricas de carvalho francês, 14% de teor alcóolico.

Vinho de cor rubi, brilhante, com aromas de frutas vermelhas, especiarias, café, com um toque defumado.

Na boca apresenta-se encorpado como nunca tinha visto em um vinho brasileiro, com taninos presentes e redondos, acidez média e um final longo e muito agradável. Tem certo amargor, que remete ao sabor de um chocolate meio amargo.

Certamente ficará entre os melhores do Brasil!

DW 92

Harmonização

Carnes vermelhas, carnes de caça, queijos.

Onde encontrar

Loja virtual da vinícola Guaspari.