BARCA VELHA 2015

Uma vida no Vinho: Luís Sottomayor, o enólogo do Barca Velha!

Primeira sala de provas desse brilhante eventos Vinhos de Portugal 2024, que aconteceu na Bienal, em São Paulo.

Degustação conduzida por Jorge Lucki com Luís Sottomayor.
A história do Luís Sottomayor e a relação com esse vinho começa em 1989, quando ele é convidado para trabalhar na Ferreira pela SOGRAPE. No momento, o enólogo responsável pela elaboração do Barca Velha era José Maria Soares Franco, que seguiu seu criador, Fernando Nicolau de Almeida, que desde 1952 elabora esse vinho nos anos especiais.
Em 2007 José Maria Sores Franco sai da Ferreira, e desde então Luís Sottomayor é o responsável pela elaboração desse ícone português.

Começamos a degustação com o Quinta da Leda 1997. Primeira vez que o vinho é feito tal como conhecemos hoje, usando barricas de carvalho francês (antes usava-se carvalho português). Aromas de frutas passas, ameixa seca, tostado, com boa corpo médio, acidez média-alta e boa persistência. DW 95!

Seguimos para o Casa Ferreirinha Reserva Especial 2007 – 1º ano que Sottomayor fica sozinho à frente da enologia do Barca Velha sozinho. Estrutura potente, acidez média-alta, muita fruta negra madura. DW 97!

Depois tomamos o Casa Ferreirinha Reserva Especial 2014, potente, frutado, mais “redondo”, mais pronto para beber! DW 98!

E então o Barca Velha 2015! Após somente 2 dias do lançamento oficial desse vinho no Brasil! Corte de 43% Touriga Franca, 40% Touriga Nacional, 2% Tinta Roriz, 5% Tinto Cão e 10% Sousão, com passagem de 18 meses em barricas de carvalho francês! Nariz potente e complexo, com mais madeira, mais aromas empireumáticos, além de fruta negra, floral, especiarias. Em boca, é mais “nervoso”, taninos intensos, acidez mais elevada, ótima persistência! Divino! DW 100!

São exatamente essas características que o transformam em Barca Velha! Após elaboração do vinho, Luís Sottomayor segue o provando ano após ano até entender que ele está pronto e até definir se o vinho daquela safra é um “Barca Velha” e não um “Reserva Especial”. Só existe um ou outro (nunca haverá um Barca Velha e Reserva Especial da mesma safra). Anos mais difíceis pode não ter nenhum dos dois (e as uvas iriam para o Quinta da Leda).
Não quer dizer que o Barca Velha é sempre melhor que o Reserva Especial…quer dizer que o Barca Velha terá sempre características que o dá uma longevidade incrível, capaz de aguentar décadas de estágio na garrafa!

Finalizamos ainda com a degustação do Porto Tawny 30 anos da Sandeman (também da SOGRAPE), que é magnífico! Coloração tawny translúcida, com aromas de nozes, figo seco, amêndoas. DW 99!

E com um Ferreira Porto Vintage Vinhas Velhas 2016, também do Luís Sottomayor! 1º Vinhas Velhas de Porto Vintage da Ferreira, elaborado com 70% de uvas de vinhas velhas, 20% touriga nacional e 10% sousão. Obra dos Deuses! Nariz já aberto, com a complexidade de um blend de vinhas velhas, mas uma potência sensacional em boca trazida por esse corte que foi elaborado! DW 98!
Como Sottomayor comentou…”O tawny é feito pelo homem com a ajuda de Deus…e o Vintage é feito por Deus com a ajuda do homem!”

Não poderia ter uma forma melhor de terminar essa degustação!