Pizzato

A família Pizzato chegou no Brasil em 1880, trazendo da Itália o hábito do cultivo de uvas. A partir do final da década de 60, iniciaram a produção na propriedade atual na região do Vale dos Vinhedos no Rio Grande do Sul. Mas somente no final da década de 90 começaram a produção de vinhos finos.

Liderado pelo enólogo Flávio Pizzato, a qualidade dos vinhos impressiona. Os vinhos Pizzato receberam o selo identificador de origem e qualidade – D.O. Vale dos Vinhedos (denominação de origem).

São produzidas com uvas do Vale dos Vinhedos (25 hectares) e uvas de Doutor Fausto de Castro (16 hectares), que fica a 50km da sede da empresa.

Possuem uma linha de vinhos mais simples – a linha Fausto – espumantes, brancos, roses e tintos. A exceção seria o vinho Fausto Verve Gran Reserva, que é um vinho muito bom, provando o potencial das uvas dessa região. O Fausto Verve é um corte de Cabernet Sauvignon 70% + 20% Merlot + 10% Tannat, que passa por barricas de carvalho francês ou americano de 1º ou 2º uso por 12 meses, de forma semelhante ao corte Concentus, com uma proporção diferente das uvas.

A linha de espumantes é feita com método tradicional, de excelente qualidade! Tivemos a oportunidade de experimentar o Pizzato Brut Rosé e o Pizzato Vertigo Nature Branco, que traz uma proposta diferente. É um espumante 80% Pinot Noir e 20% Chardonnay, sem a retirada das borras, o que resulta num espumante mais turvo com sabores amendoados, muito interessante.

E a linha Pizzato contém os vinhos tops da vinícola.

Iniciando pelos vinhos brancos de Chardonnay – o Pizzato Chardonnay passa por processo de Batonnage, tem acidez média e um bom corpo; 12,5% de álcool. Já o Pizzato Legno Chardonnay passa por fermentação em barril de carvalho, e fica mais 11 meses em barril de carvalho francês de 1º e 2º uso. Temos um Chardonnay divino, repleto de aromas amadeirados, de baunilha, chocolate branco, com um ótimo corpo e persistência.

Os vinhos tintos são muito bons – passam em geral 12 meses em carvalho francês de 1º ou 2º uso, são bem equilibrados e trazem nitidamente as características de cada casta. Tivemos oportunidade de degustar os Pizzato Merlot 2015, Tannat 2013 e Alicante Boushet 2013 – todos com excelente qualidade, bem equilibrados. O Egiodola já tinhamos tomado previamente e já tinha nos agradado bastante (ver esse post).

Passamos para o Pizzato Concentus Gran Reserva 2015. Foi a prova que a Pizzato era capaz de fazer um corte de excelente qualidade. São 70% de Merlot, 20% de Tannat e 10% de Cabernet Sauvignon (esses passando por barrica de carvalho americano por sua maior porosidade). São 12 meses de barrica para as 3 castas, originando um vinho com aroma de frutas negras, tabaco, bem encorpado e estruturado.

E por fim chegamos no ponto alto da degustação – o DNA99. Vinho 100% Merlot, realizado somente em safras excepcionais. O nome remete à colheita de 1999, na mesma localização das vinhas antigas de baixa produção, mesmo solo, mesmo clima, mesmo amadurecimento. Passa por 13 meses de barrica de carvalho francês de primeiro uso específico para a casta Merlot, como a utilizada na França. O resultado é esplêndido. Aromas de frutas negras, chocolate, tabaco, barro, com taninos redondos e presentes, acidez equilibrada e longo final. Forte candidato ao melhor vinho do Brasil. DW 97!