Noite dos Merlots

Fizemos uma degustação às cegas de 8 Merlots do mundo!

A Merlot, que é a uva vinhos icônicos franceses de Bordeaux, em especial da região de Pomerol, e que vem se estabelecendo como a uva do Brasil (assim como o Malbec na Argentina, Carmenère no Chile e Tannat no Uruguai).

É a uva tinta da primeira D.O. Brasileira…a D.O. Vale dos Vinhedos!

Iniciamos a noite com um merlot branco (uva merlot vinificado como branco, sem contato com a casca). Um dos poucos existentes no mundo. Código Merlot Blanc da vinícola argentina Solandes. Aromas de defumado, resina, com um corpo médio, retrogosto repetindo os aromas. DW 89!

Degustamos 3 vinhos brasileiros, 2 franceses, 1 italiano, 1 uruguaio e 1 chileno.

E o resultado nos surpreendeu!

O melhor vinho da noite segundo a maioria foi…brasileiro!

MILANTINO Merlot 2004! Vinho com coloração granada, com aromas de couro, pimenta-preta, alcaçuz, com um bom corpo, sedoso, acidez bem equilibrada…dei 95 pontos! Apostamos que seria algum francês às cegas!

O segundo melhor foi…brasileiro também!

ERA DOS VENTOS Merlot 2012! Vinho com um buquê intenso e complexo, com aromas de frutas vermelhas, defumado, couro, estrebaria; acidez média-alta, taninos bem presentes e redondos, longa persistência! Excelente! DW 95 pontos!

E o terceiro melhor da noite foi uruguaio!

GARZON Single Vineyard Merlot 2016! Aromas de tabaco, tostado, pimenta negra, um pouco de carvalho. Na boca, acidez média-alta, taninos firmes, longo final. DW 95!

Segue a lista dos vinhos na ordem de serviço, com a minha pontuação dada às cegas (antes de apresentar os rótulos)!

1. Château La Rose Vosel 2015 – Lalande de Pomerol / Bordeaux (FRA): 92 pts

2. Milantino Merlot 2004 (BRA): 95 pts

3. Château de Landiras 2014 – Graves / Bordeaux (FRA): 88 pts

4. Era dos Ventos Merlot 2012 (BRA): 95 pts

5. La Roncaia 2015 – Friuli (ITA): 92 pts

6. Garzon Single Vineyard Merlot 2016 (URU): 95 pts

7. Lapostolle Cuvée Alexandre Merlot 2014 – Apalta (CHI): 94 pts

8. Lídio Carraro Merlot 2008 (BRA): 91 pontos

O merlot brasileiro já foi destaque em degustações anteriores realizadas no exterior. Um exemplo foi a degustação conduzida pelo Master Sommelier Dirceu Vianna Jr na Inglaterra, com merlots do mundo, que custavam na faixa de 15 a 45 reais na Inglaterra. O Brasil teve 8 vinhos no top 10. Mais detalhes nesse link!

Milantino Gran Reserva 2005

A Milantino Vinhos Finos foi fundada em 1989. Mais uma vinícola do Vale dos Vinhedos – Bento Gonçalves, criada para elaborar vinhos de alta qualidade e de produção limitada!

Utiliza uvas de vinhedos próprios, com extremo cuidado do cultivo das videiras até a seleção das uvas. E isso se reflete na qualidade dos vinhos.

Degustamos ótimos vinhos na vinícola – Teroldego 2006, Merlot 2004, Malbec do Vale 2012…deixamos para depois a “cereja do bolo”.

O premiado Milantino Gran Reserva 2005. Corte de Tannat, Merlot e Ancellotta. 13,2% de álcool. Ganhador de um Grande Ouro no 8th Brazilian International Wine Competition de 2016 e medalha de ouro no Les Citadelle du Vin em Bordeaux, na França.

Degustação

Visualmente, coloração granada, com halos sugestivos do tempo de evolução.

Buquê muito intenso, agradável, com aromas de trufas, frutas vermelhas maduras, baunilha, madeira, terroso.

Na boca, extremamente equilibrado, taninos macios, longa persistência, acidez correta. Uma obra prima!

DW 97 pontos

Harmonização

Carnes de caça, carnes vermelhas, massas, queijos.

Onde encontrar?

Site Vinícola Milantino.

Luiz Valduga Corte 1

Vinho mais expressivo da história da Casa Valduga – Vale dos Vinhedos. Resultado de mais de 1 século de experiência.

É uma homenagem ao patriaca da família, que fundou a Casa Valduga.

De acordo com o próprio contra-rótulo:

Na terra rochosa criamos nossas raízes

Do ferro, tiramos a força e a perseverança

Na madeira cristalizada, encontramos nossa essência e inspiração

Elaborado a partir de safras e varietais secretos, em edições limitadas. 14% álcool.

Chega em uma apresentação impecável. Da caixa à arte na garrafa, já nos prepara para o que iremos degustar.

E quando colocamos na taça, cumpre o que promete.

Degustação

Visão: coloração rubi escuro, brilhante.

Olfato: aromas intensos de frutas vermelhas maduras, cereja, baunilha, tostado.

Paladar: muito equilibrado, taninos presentes e redondos, acidez média e boa persistência.

DW 98

Harmonização

Carnes vermelhas, carnes de caça.

Onde encontrar

Site Famiglia Valduga, Bebidas do Sul

O Lote 2 do Luiz Valduga já está nas barricas da Casa Valduga! Dessa vez provavelmente originada da promissora safra de 2018!

Aguardamos ansiosamente!

Lidio Carraro

Visitamos a Lidio Carraro Vinícola Boutique. E é na casa da família que fomos recebidos, onde fomos apresentados à história da vinícola e à sua filosofia.

A Lidio Carraro tem 7 hectares de videiras plantadas na Serra Gaúcha – Vale dos Vinhedos. Estudos de solo mostraram desde solos com basalto de boa drenagem até solos argilosos. Cultiva-se nessa região Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Tannat.

Foram adquiridos terrenos também na região da Encruzilhada do Sul, na Serra do Sudeste / RS, que possuem uma característica de solo diferente do Vale dos Vinhedos – um solo granítico-arenoso. Inicialmente destinado à cepas clássicas (Chardonnay, Pinot Noir, Merlot, Cabernet Sauvignon e Tannat), apresentou posteriormente um potencial para cultivo de outras castas (Malbec, Tempranillo, Touriga Nacional, Teroldego, Nebbiolo etc).

Segue a Filosofia Purista – mínima intervenção para máxima expressão do vinho. Utiliza, assim, vinhedos próprios; colheita manual; sem filtração; sem madeira; sem clarificação.

Não é à toa que foi elogiada por grandes nomes do mundo do vinho, como o inglês Steven Spurrier (do “Julgamento de Paris”) e Jancis Robinson.

A linha de entrada é a Faces, com vinhos tranquilos e espumantes. Foi a linha oficial das olimpíadas Rio 2016.

A linha Faces é seguida pela linha Agnus, com varietais de Merlot, Cabernet Sauvignon, Malbec e Tannat; e pela linha Da’divas, que possui o Chardonnay escolhido pela britânica Jancis Robinson para a adega da Rainha Elizabeth.

A linha Elos é composto por interessantes cortes. Degustamos o corte de Touriga Nacional e Tannat (único vinho com essa composição do mundo), muito interessante, e o corte de Cabernet Sauvignon com Malbec, também bem equilibrado.

A linha Singular é uma linha diferenciada, com varietais de Teroldego, Tempranillo e Nebbiolo, provenientes da Encruzilhada do Sul. Degustamos a Singular Teroldego 2011, um vinho bem encorpado, com boa persistência, aromas de ameixa preta, amoras, estrebaria. Muito bom!

E por fim, a linha top da vinícola. A linha Grande Vindima, composto pelo varietal de Merlot, pelo varietal de Tannat e pelo corte Quorum, que utiliza as 4 castas cultivadas no Vale dos Vinhedos. Videiras conduzidas com sistema de espaldeira, com uma produção de somente 1,0kg/planta dão a esses vinhos uma complexidade e potência muito interessante. Degustamos o Grande Vindima Merlot 2011, que confirmou as expectativas: aromas frutados intensos, bem encorpado, com boa persistência, certamente um dos melhores Merlots brasileiros. DW 95.

Quem estiver em busca de um vinho brasileiro de qualidade, conheçam a Lidio Carraro que certamente não vão se arrepender.

Pizzato

A família Pizzato chegou no Brasil em 1880, trazendo da Itália o hábito do cultivo de uvas. A partir do final da década de 60, iniciaram a produção na propriedade atual na região do Vale dos Vinhedos no Rio Grande do Sul. Mas somente no final da década de 90 começaram a produção de vinhos finos.

Liderado pelo enólogo Flávio Pizzato, a qualidade dos vinhos impressiona. Os vinhos Pizzato receberam o selo identificador de origem e qualidade – D.O. Vale dos Vinhedos (denominação de origem).

São produzidas com uvas do Vale dos Vinhedos (25 hectares) e uvas de Doutor Fausto de Castro (16 hectares), que fica a 50km da sede da empresa.

Possuem uma linha de vinhos mais simples – a linha Fausto – espumantes, brancos, roses e tintos. A exceção seria o vinho Fausto Verve Gran Reserva, que é um vinho muito bom, provando o potencial das uvas dessa região. O Fausto Verve é um corte de Cabernet Sauvignon 70% + 20% Merlot + 10% Tannat, que passa por barricas de carvalho francês ou americano de 1º ou 2º uso por 12 meses, de forma semelhante ao corte Concentus, com uma proporção diferente das uvas.

A linha de espumantes é feita com método tradicional, de excelente qualidade! Tivemos a oportunidade de experimentar o Pizzato Brut Rosé e o Pizzato Vertigo Nature Branco, que traz uma proposta diferente. É um espumante 80% Pinot Noir e 20% Chardonnay, sem a retirada das borras, o que resulta num espumante mais turvo com sabores amendoados, muito interessante.

E a linha Pizzato contém os vinhos tops da vinícola.

Iniciando pelos vinhos brancos de Chardonnay – o Pizzato Chardonnay passa por processo de Batonnage, tem acidez média e um bom corpo; 12,5% de álcool. Já o Pizzato Legno Chardonnay passa por fermentação em barril de carvalho, e fica mais 11 meses em barril de carvalho francês de 1º e 2º uso. Temos um Chardonnay divino, repleto de aromas amadeirados, de baunilha, chocolate branco, com um ótimo corpo e persistência.

Os vinhos tintos são muito bons – passam em geral 12 meses em carvalho francês de 1º ou 2º uso, são bem equilibrados e trazem nitidamente as características de cada casta. Tivemos oportunidade de degustar os Pizzato Merlot 2015, Tannat 2013 e Alicante Boushet 2013 – todos com excelente qualidade, bem equilibrados. O Egiodola já tinhamos tomado previamente e já tinha nos agradado bastante (ver esse post).

Passamos para o Pizzato Concentus Gran Reserva 2015. Foi a prova que a Pizzato era capaz de fazer um corte de excelente qualidade. São 70% de Merlot, 20% de Tannat e 10% de Cabernet Sauvignon (esses passando por barrica de carvalho americano por sua maior porosidade). São 12 meses de barrica para as 3 castas, originando um vinho com aroma de frutas negras, tabaco, bem encorpado e estruturado.

E por fim chegamos no ponto alto da degustação – o DNA99. Vinho 100% Merlot, realizado somente em safras excepcionais. O nome remete à colheita de 1999, na mesma localização das vinhas antigas de baixa produção, mesmo solo, mesmo clima, mesmo amadurecimento. Passa por 13 meses de barrica de carvalho francês de primeiro uso específico para a casta Merlot, como a utilizada na França. O resultado é esplêndido. Aromas de frutas negras, chocolate, tabaco, barro, com taninos redondos e presentes, acidez equilibrada e longo final. Forte candidato ao melhor vinho do Brasil. DW 97!